terça-feira, 1 de agosto de 2017

Após agressão e a pedido da família, árbitro deixa os gramados bauruense e segue como diretor do departamento

Por Juliano Gomes
Milton Porto ao centro na partida da final entre Independência FC  e Juventus FC
Foto: Arquivo / TNRB

Fato aconteceu na manhã do último domingo (30) na partida entre Bahia AC e EC Turini pela décima sétima rodada da primeira divisão da Liga Bauruense.


Uma cena lamentável, repugnante e inaceitável, mas que tem se tornado frequente aos olho de quem acompanha as partidas do futebol amador bauruense, seja a disputa da Liga Bauruense ou a Copa Semel.

Erros, acertos, indecisões e injustiças todos estão aptos a cometer, seja no dia a dia do trabalho, na escola ou mesmo em uma partida de futebol, porém o que tem chamado a atenção na modalidade esportiva municipal é o quadro de violência contra árbitros, assistentes ou representantes de entidade organizadora.

A alguns anos, os acontecimentos eram corriqueiros quando se tratava de partidas dos campeonatos organizados pela Liga Bauruense de Futebol Amador, hoje presidida por Vicente Silvestre e que tem como Secretário Geral Wellington Chateaubriand da Silva.

Diversos árbitros e assistentes passaram pela instituição ao longo dos seus mais de 80 anos de existências entre eles, diversos diretores de equipes que deixaram seu posto na beirada do campo e passaram a integrar a turma do apito.

Mas o que vem deixando sinais do fim da modalidade são as agressões por parte de jogadores, diretores e torcedores que muitas das vezes se alteram pela marcação ou não marcação de uma falta, pênalti ou lance duvidoso e acabam achando como justificativa agredir o árbiro ou até mesmo um dos componentes.

O fato mais recente aconteceu na partida entre Bahia AC e EC Turini na manhã do último domingo (30) na partida preliminar do estádio José Spetic Filho na Vila Dutra, partida essa que era conduzida pelo árbitro Milton Porto que tinha como seus assistentes Danilo Porto (Filho) e José Nogueira, além do representante João Vitor Porto (Filho) que sempre acompanha o pai em seus trabalhos.

Após a marcação de uma infração e a exclusão de um atleta do Bahia após receber cartão vermelho, os atletas de maneira generalizada partiram pra cima do árbitro, agredindo-o a socos e pontapés bem como em seus assistentes que tentaram defendê-lo e apartar a confusão sem sucesso, uma vez que os torcedores já haviam adentrado ao gramado. Um desses socos, acabou acertando o lado esquerdo da face de Milton Porto, que por alguns instantes ficou inconsciente.

O Turini vencia o confronto pelo placar de 1 a 0 quando o incidente ocorreu, com a partida sendo interrompida e o placar mantido. Presente no estádio estava o presidente da Liga bauruense, Vicente Silvestre que de imediato informou a suspensão da agremiação e de todos os atletas envolvido por um período de 2 anos.

Comunicado via rede social

Através de seu perfil da rede social Facebook, Milton Porto publicou um vídeo agradecendo as mensagem de consolo e apoio recebido por amigos, grande parte deles, construído ao longo de seus 32 anos como árbitro do futebol amador bauruense.

No vídeo, Milton fala sobre o ocorrido, informa estar recuperado e que a pedido da família, vai deixar o apito, dessa vez em definitivo para acompanhar a família mais de perto. Além do trabalho como árbitro de futebol, Milton tem trabalho privado em seu escritório onde presta serviços jurídicos.

Na Liga Bauruense, Milton é responsável pelo departamento de arbitragem, na qual manterá o exercício mesmo deixando de apitar jogos. Em 2016 após a realização da final da primeira divisão entre Independência e Juventus, Porto havia anunciado o fim da carreira, mas a pedido de Vicente, revogou da decisão e continuou apitando. 

Sobre a agressão, ele ainda falou que já deu entrada nos processos civis e criminais e levará a decisão adiante em busca de justiça para que novos incidentes não volte a acontecer.


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