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Amanda, da Seleção, se solidariza com atleta vítima de injúria racial em Bauru

TNRB / Globoesporte.com

Atleta em partida contra República Dominicana pela Liga das Naçoes
Foto: Divulgação FIVB

Um dia depois de vir a público um episódio de ofensa racial que envolveu uma atleta de 15 anos do time sub-17 do Barueri em partida contra o Sesi, em Bauru, a ponteira Amanda, da seleção brasileira, desabafou em relação a atos de discriminação que já sofreu em sua carreira.

Em uma postagem no Instagram, a jogadora de 31 anos, que atua na equipe adulta do Barueri, disse que foi vítima de racismo aos 13 anos.

- O meu primeiro contato com o racismo, eu tinha 13 anos e minha irmã 11. Voltávamos da escola, de um treino de vôlei e sofremos racismo no ônibus que pegávamos todos os dias pra voltar pra casa. Ali, descobri o que era impotência pela primeira vez e de forma precoce... Ao relatarmos pra minha mãe, as duas filhas juntas, aos prantos, foi materializado essa impotência através do olhar de dor dela. Nunca mais me esqueço do olhar da minha irmã de medo e de dor da minha mãe. Não queríamos mais pegar o ônibus no outro dia... e sabe o que ela nos disse: vocês vão entrar no ônibus de cabeça erguida, pois precisamos ser fortes, resistentes e não deixar que nada nem ninguém mude o nosso caminho. Se dói em mim, imagina num pai. Esse recado é pra tantas Isabelles que sofrem diariamente, em todos os lugares e de todas as formas: NADA, NEM NINGUÉM é capaz de mudar o seu caminho de luta e sucesso! Você é linda, forte e capaz de realizar o que quer que seja. Agora pros racistas: covardia tem nome, tem preço e é crime! Racistas não passarão! Força pai, força Isa - escreveu a ponteira em sua conta na rede social.

A jogadora está em Brasília com a seleção brasileira feminina para a disputa de duelos pela Liga das Nações.

Isabelle e seu pai, Gilmar
Foto: Reprodução Facebook

Isabelle de Cássia foi chamada de "macaca" por um torcedor no ginásio em partida na quarta-feira válida pelo Campeonato Metropolitano sub-17. O jogo foi disputado em Bauru. A própria comissão técnica do Sesi protestou com o agressor e tentou impedi-lo de continuar a proferir ofensas.

As jogadoras e os treinadores de Barueri consideraram ir à delegacia para fazer um Boletim de Ocorrência contra o torcedor. Porém, Isabelle preferiu não levar o caso adiante porque o agressor teria pedido desculpas.

SESI VÔLEI BAURU

Em suas redes sociais o time de Bauru emitiu nova nota em que, desta vez, pede ajuda a quem esteve presente na partida e pode ter testemunhado tal ato. O Clube diz ainda que tentou identificar o autor das ofensas através do vídeo proveniente do sistema de gravação das partidas utilizado habitualmente nos jogos, mas que infelizmente não foi possível. Confira a íntegra:

"AJUDEM-NOS

O Sesi Vôlei Bauru vem mais uma vez a público, agora para prestar informações sobre o andamento das apurações envolvendo a informação de injúria racial apontada pelo sr. Gilmar Venâncio e direcionada para sua filha oriunda de parte da torcida presente ao jogo entre Sesi Vôlei Bauru x Barueri, jogo realizado, anteontem, em Bauru, pelo Campeonato Paulista Sub-17.

O Sesi Vôlei Bauru consultou o vídeo, que não tem áudio e somente imagens, proveniente do sistema de gravação das partidas utilizado habitualmente nos jogos e nele, infelizmente, não é possível identificar o autor da informada injúria racial direcionada à atleta do Barueri, filha do sr. Gilmar Venâncio.

Por isso, diante da impossibilidade de identificação da autoria desta repugnante e lamentável atitude e reforçando que não desistiremos da busca pela Justiça para o caso, o Sesi Vôlei Bauru pede a ajuda de todos que possam colaborar conosco com as apurações, especialmente àqueles que estiveram presentes no local e horário da realização da mencionada partida.

Por essa razão, o Sesi Vôlei Bauru solicita que, caso alguém tenha feito alguma gravação em vídeo ou testemunhado de alguma forma a informada injúria racial, entrem em contato conosco pelo telefone (14) 3104-3900 e ajudem-nos a identificar o autor a fim de que possamos tomar todas as medidas legais cabíveis ao caso.

Importante ressaltar que garantiremos o sigilo de quem dispuser-se a denunciar e colaborar conosco.


DIRETORIA SESI VÔLEI BAURU"



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